Flexibilidade, a chave de Polvo
Um conceito extremamente simples, mas inovador para os padrões utilizados nos campos de águas rasas no Brasil, é o que promete a Devon Energy no desenvolvimento de Polvo, na Bacia de Campos. A operadora norte-americana bolou uma criativa engenharia de detalhamento - baseada na implementação de soluções baratas e tempo recorde para produção do primeiro óleo - a fim de tornar economicamente vantajoso o investimento nas pequenas acumulações descobertas no bloco BM-C-8, no qual a empresa é sócia da coreana SK.
A principal diferença de Polvo em relação aos campos de águas rasas operados pela Petrobras é que ele será dotado de uma sonda de perfuração de grande capacidade. A Devon adquiriu o equipamento no Golfo do México para ser instalado na jaqueta de seu campo, que está entrando em fase de perfuração dos dez poços produtores e três injetores no inÃcio de 2007. A sonda - de 3 mil HP - é removÃvel e tem capacidade de perfurar poços de até 6 km de profundidade e comprimento horizontal de 1 km.
A decisão de instalar uma sonda (na jaqueta) se deve à aposta da companhia de encontrar novos reservatórios no BM-C-8. Ou seja, a sonda fará a campanha de perfuração de Polvo e depois estará disponÃvel para desenvolver novas acumulações na região, na medida em que elas forem descobertas. "A palavra-chave do desenvolvimento de Polvo é a flexibilidade. Com esse conceito, vamos ter disponibilidade de sonda para desenvolver a região numa estratégia de longo prazo", afirma o gerente-geral de Desenvolvimento do BM-C-8, Steven Seat.
Para se ter uma idéia da confiança da Devon no bloco, a primeira fase de Polvo terá 13 poços, mas a jaqueta terá capacidade para receber 24. A plataforma fixa - que será instalada a 105 m de lâmina d¦água - poderá produzir 50 mil barris/dia. A planta da jaqueta será extremamente simples e pequena: em seu topside serão instaladas basicamente três bombas multifásicas que bombearão os fluidos, sem separação, diretamente para um FPSO - outra inovação do projeto, uma vez que os sistemas flutuantes são usados no Brasil apenas para águas profundas.
Nova jaqueta
O FPSO - contratado da empresa norueguesa Prosafe - está sendo dimensionado para produzir 90 mil barris/dia. Sua capacidade é superior à produção de Polvo - estimada em 40 mil barris/dia - porque o navio poderá receber o óleo que venha a ser produzido em novas áreas do BM-C-8. Até o fim deste ano, a Devon vai perfurar mais três poços exploratórios numa área a cerca de 25 km da região onde ficará a plataforma de Polvo. Caso haja descobertas, a companhia poderá instalar uma nova jaqueta de produção no local e transferir para ela a sonda de perfuração, iniciando novo ciclo de desenvolvimento.
Seat diz que a atratividade de Polvo era arriscada, mas a direção mundial da Devon, em Oklahoma City, aprovou o desenvolvimento do campo levando em conta esse potencial de novas descobertas. Ele afirma que a rapidez da ANP em aprovar o projeto foi essencial para dar confiança à matriz da petroleira. "A ANP foi muito proativa. Isso permitiu que começássemos as contratações antes mesmo de o projeto ser aprovado. E a rapidez na implementação do projeto é um item fundamental em sua atratividade comercial", explica.
Por uma série de ações estratégicas, Polvo será um dos campos mais rápidos a produzir o primeiro óleo de que se tem notÃcia no mundo. A descoberta foi em junho de 2004 e a produção está prevista para começar em julho de 2007. "Mas estamos confiantes de que poderemos adiantar a data em até dois meses", afirma Seat.





