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Todo o mundo em Macaé

O bilionário Plano de Negócios 2009-2013 da Petrobras, que contrastou com o desaquecimento da economia mundial por conta da crise financeira, transformou a Brasil Offshore 2009 em uma grande vitrine para empresas do exterior. O número de expositores estrangeiros dobrou em relação à última edição – foram 138 este ano –, 95 deles reunidos em pavilhões nacionais de seis países – um a mais que em 2007. O fenômeno se estendeu às sessões técnicas: 60% dos 360 congressistas inscritos vieram de outros lugares do planeta.

O comparecimento em peso de empresas estrangeiras era esperado, em se tratando da principal feira de petróleo da temporada no país. O evento foi a primeira grande oportunidade para que fornecedores que até então olhavam o Brasil como um mercado alternativo começassem a viver o clima da nova fronteira de negócios do setor chamada pré-sal. Na lista das novatas estavam nomes de peso, como a holandesa Boskalis Offshore, a norueguesa Seadrill e a alemã DHL, que se juntaram a dezenas de pequenas e médias empresas, abrigadas nos pavilhões estrangeiros.

Ávidos por informação sobre o Brasil, os expositores estrangeiros buscaram interagir não somente com os visitantes, mas também com os estandes nacionais. A estratégia era conhecer os fornecedores locais para futuras alianças. Alguns revelaram a intenção de terceirizar componentes; outros, de repartir o investimento em uma fábrica no país. Houve ainda aqueles interessados em partir para a compra de um fornecedor nacional em atividade.

Muitos candidatos ao mercado brasileiro focam a parceria local como um atalho para conhecer os canais de comercialização da Petrobras, bem como habilitar produtos e serviços ao elevado requisito de conteúdo nacional do país. Além, é claro, de dar visibilidade às tecnologias de ponta que desenvolveram ao longo da experiência em mercados maduros como o Mar do Norte e o Golfo do México.

Fator pré-sal

A perspectiva de que o Brasil possa se tornar um celeiro de inovações para aplicação no pré-sal também aguçou o interesse estrangeiro. Muitas empresas enxergam afinidades entre os desafios para explorar a nova fronteira e o estágio de evolução em que se encontram. A percepção geral é de que muito do que foi desenvolvido lá fora, como sistemas de segurança e sensoriamento remoto, estariam aptos à nova fronteira de produção, bastando apenas pequenos ajustes.

Nesse contexto, nada mais esperado do que um auditório repleto para assistir executivos da Petrobras discorrerem sobre o escopo da exploração do pré-sal. Em uma tarde dedicada ao tema, foram apresentados sete trabalhos técnicos, que abrangeram desafios como construção de poços, gerenciamento de reservatórios e logística de suprimento. O apelo era tão grande que levou vários expositores estrangeiros a deixar o estande naquele dia.

Toda essa movimentação também reflete, em ultima análise, o potencial brasileiro em termos de escala. Na percepção dos fornecedores estrangeiros, o extenso plano de investimentos offshore da Petrobras – que pode chegar a 100 unidades de produção e um total de US$ 400 bilhões nos próximos 15 anos, englobando reservas provadas e futuras descobertas no pré-sal – faz do Brasil a aposta de longo prazo do momento.

Recorde de visitantes

Outro recorde da Brasil Offshore 2009 foi de público, com 49.224 visitantes, contra os cerca de 44 mil registrados em 2007. Desse total, cerca de 2 mil eram funcionários da Petrobras, dobrando o contingente anterior. Segundo informações da Reed Exhibitions Alcântara Machado, que organiza o evento, cerca de 35% das 600 empresas expositoras já renovaram a participação na próxima edição, em 2011.

* Participaram da cobertura da Brasil Offshore 2009 Elisângela Mendonça, Felipe Maciel, Ricardo Vigliano e Victor Scott. Fotos de Cláudio Ferreira e Marcus Almeida, da Somafoto


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