Preço maior, suprimento robusto
A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê para os próximos anos preços maiores do petróleo e suprimento mais robusto, com a recuperação da economia mundial, afirmou nesta quinta-feira (16/9) o diretor de Mercados de Energia e Segurança da entidade, Didier Houssin. A expectativa é que os preços do barril girem em torno de US$ 85. Pelo lado da produção, espera-se que 91 milhões de barris/dia sejam extraídos em 2015. O crescimento da produção virá sobretudo de países como Brasil, Canadá, Colômbia. Por outro lado, ocorrerá declínio por conta de EUA, México e Mar do Norte. Já a capacidade de refino deverá crescer em 9 milhões de barris/dia nos próximos cinco anos, com uma taxa de utilização, em 2015, de 78% do parque, contra os 84% atuais. As margens continuarão apertadas.
Apesar da perspectiva de suprimento robusto, a IEA demonstra algumas preocupações. Os subsídios concedidos por alguns países, por exemplo, têm feito com que a demanda não caia, mesmo com o aumento de preços. Esse cenário leva a uma pressão nos preços, o que pode ter impacto na economia mundial nos próximos cinco anos.
Os países em desenvolvimento continuarão a ser o drive de crescimento da demanda mundial nos próximos anos, em especial Brasil, China e Índia. Somente a Ásia, sobretudo a China, vai representar dois terços do crescimento da demanda. Há, contudo, muitas incertezas em relação aos dados desses países, o que torna mais difícil projeções mais precisas, aponta Houssin.
Por sua vez, os biocombustíveis representarão, em cinco anos, uma produção de 2,4 milhões de barris/dia - crescimento de 1,6 milhão de b/d em relação a 2009. Estes combustíveis vão responder por 13% do crescimento da demanda de gasóleo e gasolina naquele ano. Já a segunda geração de biocombustíveis representará uma produção de apenas 150 mil b/d em 2015, dos quais 55% de etanol celulósico e 45% de segunda geração de biodiesel.
Houssin participou da sessão plenária "Os Desafios da Sustentabilidade da Indústria de Óleo e Gás", no último dia da Rio Oil & Gas 2010.
